sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O professor em tempos de pandemia

       



       É conhecimento de todos a imprescindível função do professor para a sociedade. Esse profissional é o fundamento de um país e é o formador de todas as outras profissões. Todos, inclusive as lideranças políticas, sabem da real importância do docente, entretanto a sua valorização, seu plano de carreira e seus direitos estão esquecidos.


O professor só leva conteúdo?


   Como se a tarefa de repassar o conteúdo fosse fácil, o trabalho do professor vai além de transmitir o saber. Ele tem a tarefa de educar o estudante, de moldar o caráter, de lapidar vidas, de construir laços, de mediar o conhecimento, de instigar a curiosidade e de despertar sonhos. 


O professor nessa pandemia


Muito antes da pandemia, o docente estava saturado de tanta tarefa. Além de planos de aula, preparação de material, avaliações, correção, trabalho burocrático, reuniões excessivas, cursos de especialização, e muitas outras ações, hoje tudo triplicou. De repente, o professor sofreu uma mudança radical. Além do que já fazia, acrescentaram-se outros afazeres até então desconhecidos: sua casa se transformou num estúdio de gravação e numa sala de aula, com aula on-line, produção de vídeoaula, reuniões infindáveis, conferências, lives. Celulares sobrecarregados de tantos grupos de WhatsApp com mensagens que chegam até na madrugada e sábado e domingo foram esquecidos. 


Quem está pagando a conta?


          O professor, até agora, é o único que está pagando a conta de tanto investimento, sim, teve que investir dinheiro sem ter. Precisou comprar aparelhos de celular ou Ipads para dar aulas, pois o celular antigo se tornou obsoleto para suportar tantos vídeos, mensagens e notas. Assim, para gravar suas aulas; teve de investir até em aplicativos sofisticados, reaprender a trabalhar e a fazer tudo isso sem ajuda do governo. 


Saúde mental do professor 


Se antes os professores já sofriam com tanta exigência, condições desfavoráveis na ambiente escolar e salários defasados e atrasados, imagine o que é lidar com tudo isso durante o isolamento social? A sobrecarga a que está exposto, a insegurança e o medo dessa pandemia, a preocupação com os alunos sem acesso à educação de qualidade têm  influenciado diretamente na saúde mental dos educadores, muitos estão doentes. Mas mesmo assim, eles não desistem. 


Cadê a valorização?


Sabendo que o professor move o mundo, constrói pontes, levanta as bases da nação, além de formar todas as profissões, então, por onde anda a valorização desses profissionais? Não se pode tirar o mérito de ações de agradecimento ao professor por parte de algumas instituições privadas com a campanha “Aplauda um professor”.Talvez seja o começo do reconhecimento deste profissional que, por excelência, forma todas as demais profissões. No entanto seu valor não é reconhecido como deveria, principalmente pelos políticos. E, agora, com essa pandemia, não houve nenhuma palavra sequer de incentivo aos docentes, nem valorização salarial. O professor trabalha muito por amor, mas amor não paga essa conta! 


sexta-feira, 31 de julho de 2020

O avanço dos ataques de ódio



          É alarmante o fato de que os ataques de ódio continuam avançando vertiginosamente. O resultado disso pode ser percebido por meio das redes sociais que têm sido um território de agressividade muito utilizado por indivíduos preconceituosos. Nesse sentido, deve-se analisar essa situação para que propostas amenizem tal conflito e sejam discutidas para o benefício do país.


O que se caracteriza como ataque de ódio?


      Os ataques de ódio são considerados crimes. Geralmente são crimes motivados por preconceito e intolerância, são cometidos quando o criminoso escolhe suas vítimas de forma intencional simplesmente por esta pertencer a um grupo.


Como são os ataques?


     Normalmente os ataques são feitos por meio de agressão verbal com xingamentos, discursos de ódio, agressão física, há agressões tão brutais que terminam em morte. 


Quem mais sofre com os ataques?


      Qualquer pessoa que faça parte das minorias, ou que tenha uma luta por igualdade de direitos, ou que tenha uma visão política diferente do outro, por exemplo. 84% das mulheres negras sofrem ataques de ódio, como exemplo tem-se a cantora Ludmilla, a atriz Taís Araújo, a apresentadora Maju, a escritora Djamila Ribeiro entre tantas outras, famosas ou não. São mulheres que são referência e sofrem com o ódio porque são negras. Outro que sofreu ataques recentemente foi o influenciador digital Felipe Neto, porque fez  críticas ao presidente Bolsonaro no ‘The New York Times', por isso tem sido vítima de acusações falsas e de ameaças nas redes sociais. Nesta quarta (29), os ataques pararam na porta da casa dele.


Esses crimes são recentes?


     O preconceito, principalmente o racial, é histórico no Brasil. A luta contra o racismo é antiga e está longe de acabar. Enquanto houver gente preconceituosa é intolerante, infelizmente, os ataques continuarão, mas é preciso dar um basta.


Como combater os ataques?


É preciso denunciar os agressores, fazer representação formal nas delegacias ou no Ministério Público. Cabe a cada usuário das redes sociais ter consciência e conhecimento para não difundir fakes nem ataques de ódio. A educação é essencial e deve começar em casa. As autoridades devem punir severamente os criminosos, e os responsáveis pelas redes sociais devem aprimorar suas ferramentas para detectar esses crimes e inibi-los com mais celeridade. Assim os ataques de ódio podem ser combatidos. 

Entrevista com Anand Rao TV Cultura Alternativa

https://acadelpmg.blogspot.com/2020/07/semana-do-escritor-acadelp-rosana-silva.html

sexta-feira, 26 de junho de 2020

É preciso reaprender

!


         O mundo todo está em crise devido à pandemia, e o Brasil, infelizmente, está no meio disso. Todos estamos passando por um período muito difícil, já que, nesta semana, segundo os dados divulgados pelas secretarias de saúde, são mais de 55 MIL vidas perdidas pela Covid 19 e já ultrapassou a marca de mais de UM MILHÃO de infectados só no Brasil. 
         Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) falta pouco para alcançar a triste marca de 500 mil mortos e 10 milhões de contaminados no mundo todo. Além disso, milhões de brasileiros estão isolados, passando por dificuldades financeiras, com problemas psicológicos como ansiedade, fobia e depressão, advindos como consequência dessa pandemia. Ademais milhões estão fora do mercado de trabalho e sem grandes expectativas. Mas será que ficar tristes, amargurados, cruzar os braços e deixar o medo tomar conta vai contribuir para mudar esse panorama?
              Não, todos sabem que entrar na onda da inércia de nada vai modificar a situação pandêmica em que se encontra a nação. Vários tipos de crise sempre existiram, no entanto , dessa vez, a crise ceifou vidas e muitas famílias estão enlutadas. 
     Mas não podemos nos deixar levar por esse fantasma do medo, isso só piora o quadro. É preciso, de alguma forma, romper com esse círculo vicioso e tomar novos rumos na vida, mesmo sendo difícil. 
          Hoje, a melhor forma de combater esse mal-estar é cada cidadão se sentir pertencente à Terra, à nossa Casa, no sentido de contribuir com sua responsabilidade. Como? No momento, é se proteger para proteger o outro, usando máscara, isolando-se socialmente o máximo que puder e ampliando os cuidados com a higienização. 
      Realizar cursos profissionalizantes pela internet, fazer momento de meditação, descobrir novas habilidades, plantar, faxinar, desenhar, pintar, enfim, caminhar, fazer diversas atividades ajuda a ocupar a mente para não ser tomado pela descrença. 
       Além dos cuidados e da busca de novas aprendizagens, o país precisa se unir, em todas as esferas da sociedade, para desacelerar o ritmo do contágio desse vírus, para que  todos, sem exceção, possam voltar a uma nova normalidade, sem vítimas da Covid.  Podemos, também, contribuir com o próximo, seja com ajuda financeira ou psicológica. 
      Cabe ao indivíduo resgatar sua vontade de reaprender, crias novos modelos de vida, acionar a sua criatividade, encontrar seu potencial e se redescobrir para que possa sair dessa crise como uma pessoa nova e melhor.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Cadê o verdadeiro Brasil?



     

        Não há como negar a existência da intolerância, da brutalidade e da desumanidade no Brasil nesses últimos tempos. Este país a que estamos assistindo não é o Brasil que conhecemos, não é a nação que sempre foi reconhecida mundialmente pela alegria de ser, pela solidariedade em diversas situações e pela esperança que o povo demonstra. O que aconteceu com esse BRASIL, que sempre abrigou a todos? Por que os brasileiros andam tão tristes e cabisbaixos, sem a alegria de antes?

       Basta acontecer um fato diferente, seja ele qual for, e já se podem esperar insultos, brigas, extremismo e xingamentos, sempre carregados de ódio, de preconceito, de vingança. Por que tanto desrespeito? Há um vídeo circulando, numa manifestação a favor do presidente da república e a favor da volta do AÍ 5, pior ato da Ditadura Militar, o que é totalmente inconstitucional, em que uma mulher, aos berros, xinga idosos, ofendendo pelo simples fatos de estarem usando máscaras para se protegerem da Covid. Pra que isso?

       É preciso ressaltar que hoje muitas ofensas estão sendo feitas e sendo atribuídas à liberdade de expressão. Cabe lembrar que a nossa constituição é clara sobre o Princípio da Liberdade, garantido também pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto esse direito não pode servir de escudo por indivíduos cruéis que se acham melhores que os outros e podem dizer o que quiser, sem  respeitar o outro em sua dignidade humana. 

         Vive-se numa sociedade democrática e contemporânea, em que a liberdade é um bem inviolável, porém isso não dá o direito a ninguém, em nenhuma parte do mundo, de ofender, caluniar, maltratar, incitar a violência, a discriminação, o preconceito e o desrespeito a qualquer cidadão.l, especialmente aqueles sem vez e sem voz. 

         Ademais todos sabem que a intolerância e o ódio encontram espaço suficiente para exaltar, xingar, ofender e humilhar  quando se tem lideranças , no auge do poder, que dão exemplos de comportamento agressivo e desrespeitoso ao próximo, às instituições e ao próprio povo.

         Nesse sentido, é importante afirmar que o respeito à pessoa humana é de extrema importância, caso contrário, estaremos nos rendendo à barbárie, à turbulência de conflitos armados em que o diálogo, a escuta e a paz não encontram mais espaço. As divergências de concepções não podem e não devem servir de desculpa para exalar o ódio e a intolerância. Isso é pretexto para quem já é violento e só precisa de um motivo para a usar. A tolerância se estabelece em aceitar a todos, independentemente de qualquer situação, conforme afirmou o Papa Francisco. Portanto é preciso respeitar, ter empatia e tolerância. O ser humano precisa, mais do que nunca, resgatar a sua própria humanidade. O Brasil precisa voltar a ser feliz. Esse “brazil “ que está “agora” não é o nosso rosto, não é a cara da maioria do seu povo: trabalhador, honesto e pacífico. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Por uma “New Norman!”



          No cenário atual,  em que o isolamento se torna uma nova realidade, todos os cidadãos são convocados a exercitarem a sua disciplina, a fim de que possam aprender a viver nessa nova e desoladora realidade, imposta pela pandemia. Para o arcebispo de Belo Horizonte, também presidente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “a disciplina é exigência para se conquistar novos hábitos que desafiam o tecido cultural, político e religioso a ter uma nova matéria prima, de qualidade, para sustentar o sonho da solidariedade que precisa se tornar realidade”. 
      Diante dessa afirmação e de vários estudos realizados sobre o comportamento humano nessa nova conjunctura, a disciplina nunca se fez tão necessária. É a disciplina o elemento fundamental para a aprendizagem, a qual deve ocorrer durante toda a vida, uma vez que o sujeito deve sempre aprender novas habilidades para o seu próprio desenvolvimento. Agora, ter disciplina para se proteger e proteger o outro é imprescindível.
        No entanto, é válido compreender que toda mudança de hábito e de rotina, que exige uma disciplina diariamente, encontra muitas resistências.  A relutância à renovação é um claro indício de irracionalidade que deve ser combatida. Pessoas que se dizem contra o isolamento, que não acreditam nas mortes causadas pela Covid 19 podem ser consideradas egoístas e alienadas. 
      Alem disso, com essa mudança de vida, ditada obrigatoriamente, todos se perguntam: “quando será a retomada da “normalidade”, da nossa “vida normal”?” Hoje se fala numa “New Norman”, numa “Nova Normalidade”, já que é impossível regressar àquela realidade antes da pandemia, pois se trata de uma normalidade  que leva justamente ao adoecimento e a outros problemas mais ameaçadores à vida.     
         Sendo assim, o mundo nunca mais poderá ser do mesmo jeito após essa pandemia. O ser humano precisa ser mais fraterno, solidário, altruísta, pacífico e com grandezas de pensamentos e sentimentos.  As famílias precisam ser mais unidas, santas e esperançosas. Este isolamento é porque amamos, e é o amor e o respeito que precisam crescer em cada um de nós. É preciso cuidar, amar e proteger. A humanidade está marcada por uma forte cultura de morte, de vingança, de massacre onde não há espaço para o amor e para a vida, esta era a normalidade para a qual não devemos voltar. 
      Ademais, nossos governantes precisam pensar no bem comum, nos mais pobres, nos excluídos, nos favelados, nos indígenas, nos cidadãos em situação de rua, nos desempregados, nos pequenos empresários que agonizam, nos idosos. Grandes empresas devem pensar no desenvolvimento sustentável, sem usurpar seus trabalhadores e o meio ambiente, gerando economia e sonhos. Precisamos pensar em mudança de vida, de amar mais. Essa pandemia está mostrando nossas fragilidades, que nada nem ninguém é nosso. Precisamos conviver, viver com o outro, para o outro, pelo outro. Não se podem perder as oportunidades de abraçar, de confortar, de enxugar as lágrimas, de dar as mãos. Precisamos, portanto, de mudar, de disciplina para uma “nova normalidade”. 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ah que saudades da minha vida!


         Em meio ao isolamento que boa parte da população tem adotado com essa quarentena, devido à pandemia, está cada vez mais comum se ouvir o desabafo:”Ah que saudades da minha vida!” No Brasil, a adesão ao isolamento chega a quase 50%, o que ainda é ineficiente para barrar o contágio da doença. Diante dos conflitos gerados pelo isolamento social, o que pode ser feito para amenizar diversos problemas dessa situação?  
       Cabe ressaltar  a necessidade do isolamento social nesse cenário caótico pelo qual o mundo todo passa. Restrições ao trabalho, dificuldade financeira, perda da mobilidade urbana, medo da doença, pânico pela falta de medicamentos e tratamentos adequados, solidão,  ausência total de eventos sociais e viagens, distanciamento de familiares e de amigos e, principalmente, a falta de demonstração de afeto concreto e real como um simples abraço, um beijo, um aperto de mão geram uma infinidade de pensamentos ora negativos, ora desesperançosos, além de problemas psicológicos imensuráveis. 
      No entanto, esse isolamento social não deve ser visto apenas pelo lado negativo que isso impõe a todos: pobres, ricos, crianças, adultos. É preciso usar essa situação, que é transitória, para uma reflexão profunda e total de nossas verdadeiras necessidades, do real sentido da vida e, sobretudo, da importância de valorizar o que realmente importa para viver feliz. 
       Provavelmente, uma grande parcela social, durante essa quarentena, já deve ter percebido que simples ações do cotidiano  estão fazendo falta, que antes não eram valorizadas, nem sequer eram praticadas como deviam. Um beijo carinhoso, um abraço apertado, um aperto de mão sincero, uma simples caminhada, o corre corre no trabalho (que muita gente reclama) hoje estão fazendo uma falta incrível. 
    Portanto em vez de dizermos: ”Ah que saudades da minha vida!”, troquemos pela frase: “ah como vou mudar a minha vida!” Afinal de contas, o ser humano precisa mudar mesmo, ele precisa ser mais humano. Desse modo, a busca pela espiritualidade, de equilíbrio, de pensamentos otimistas e esperançosos são essenciais para ter uma saúde mental para conseguirmos vencer esse período da nossa vida. Assim poderemos sair dessa solidão obrigatória melhores de quando entramos para valorizar o cotidiano e respeitar o próximo. 

Resultado e Premiação do 2º Concurso de Poesia da Alarc - 2024

RESULTADO DO 2º CONCURSO DE POESIA DA ALARC – 2024 OBSERVAÇÃO: OS NOMES ESTÃO EM ORDEM ALFABÉTICA E NÃO DE CLASSIFICAÇÃO. PREMIAÇÃO LOCAL:...