sexta-feira, 19 de junho de 2020

Cadê o verdadeiro Brasil?



     

        Não há como negar a existência da intolerância, da brutalidade e da desumanidade no Brasil nesses últimos tempos. Este país a que estamos assistindo não é o Brasil que conhecemos, não é a nação que sempre foi reconhecida mundialmente pela alegria de ser, pela solidariedade em diversas situações e pela esperança que o povo demonstra. O que aconteceu com esse BRASIL, que sempre abrigou a todos? Por que os brasileiros andam tão tristes e cabisbaixos, sem a alegria de antes?

       Basta acontecer um fato diferente, seja ele qual for, e já se podem esperar insultos, brigas, extremismo e xingamentos, sempre carregados de ódio, de preconceito, de vingança. Por que tanto desrespeito? Há um vídeo circulando, numa manifestação a favor do presidente da república e a favor da volta do AÍ 5, pior ato da Ditadura Militar, o que é totalmente inconstitucional, em que uma mulher, aos berros, xinga idosos, ofendendo pelo simples fatos de estarem usando máscaras para se protegerem da Covid. Pra que isso?

       É preciso ressaltar que hoje muitas ofensas estão sendo feitas e sendo atribuídas à liberdade de expressão. Cabe lembrar que a nossa constituição é clara sobre o Princípio da Liberdade, garantido também pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto esse direito não pode servir de escudo por indivíduos cruéis que se acham melhores que os outros e podem dizer o que quiser, sem  respeitar o outro em sua dignidade humana. 

         Vive-se numa sociedade democrática e contemporânea, em que a liberdade é um bem inviolável, porém isso não dá o direito a ninguém, em nenhuma parte do mundo, de ofender, caluniar, maltratar, incitar a violência, a discriminação, o preconceito e o desrespeito a qualquer cidadão.l, especialmente aqueles sem vez e sem voz. 

         Ademais todos sabem que a intolerância e o ódio encontram espaço suficiente para exaltar, xingar, ofender e humilhar  quando se tem lideranças , no auge do poder, que dão exemplos de comportamento agressivo e desrespeitoso ao próximo, às instituições e ao próprio povo.

         Nesse sentido, é importante afirmar que o respeito à pessoa humana é de extrema importância, caso contrário, estaremos nos rendendo à barbárie, à turbulência de conflitos armados em que o diálogo, a escuta e a paz não encontram mais espaço. As divergências de concepções não podem e não devem servir de desculpa para exalar o ódio e a intolerância. Isso é pretexto para quem já é violento e só precisa de um motivo para a usar. A tolerância se estabelece em aceitar a todos, independentemente de qualquer situação, conforme afirmou o Papa Francisco. Portanto é preciso respeitar, ter empatia e tolerância. O ser humano precisa, mais do que nunca, resgatar a sua própria humanidade. O Brasil precisa voltar a ser feliz. Esse “brazil “ que está “agora” não é o nosso rosto, não é a cara da maioria do seu povo: trabalhador, honesto e pacífico. 

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Por uma “New Norman!”



          No cenário atual,  em que o isolamento se torna uma nova realidade, todos os cidadãos são convocados a exercitarem a sua disciplina, a fim de que possam aprender a viver nessa nova e desoladora realidade, imposta pela pandemia. Para o arcebispo de Belo Horizonte, também presidente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, “a disciplina é exigência para se conquistar novos hábitos que desafiam o tecido cultural, político e religioso a ter uma nova matéria prima, de qualidade, para sustentar o sonho da solidariedade que precisa se tornar realidade”. 
      Diante dessa afirmação e de vários estudos realizados sobre o comportamento humano nessa nova conjunctura, a disciplina nunca se fez tão necessária. É a disciplina o elemento fundamental para a aprendizagem, a qual deve ocorrer durante toda a vida, uma vez que o sujeito deve sempre aprender novas habilidades para o seu próprio desenvolvimento. Agora, ter disciplina para se proteger e proteger o outro é imprescindível.
        No entanto, é válido compreender que toda mudança de hábito e de rotina, que exige uma disciplina diariamente, encontra muitas resistências.  A relutância à renovação é um claro indício de irracionalidade que deve ser combatida. Pessoas que se dizem contra o isolamento, que não acreditam nas mortes causadas pela Covid 19 podem ser consideradas egoístas e alienadas. 
      Alem disso, com essa mudança de vida, ditada obrigatoriamente, todos se perguntam: “quando será a retomada da “normalidade”, da nossa “vida normal”?” Hoje se fala numa “New Norman”, numa “Nova Normalidade”, já que é impossível regressar àquela realidade antes da pandemia, pois se trata de uma normalidade  que leva justamente ao adoecimento e a outros problemas mais ameaçadores à vida.     
         Sendo assim, o mundo nunca mais poderá ser do mesmo jeito após essa pandemia. O ser humano precisa ser mais fraterno, solidário, altruísta, pacífico e com grandezas de pensamentos e sentimentos.  As famílias precisam ser mais unidas, santas e esperançosas. Este isolamento é porque amamos, e é o amor e o respeito que precisam crescer em cada um de nós. É preciso cuidar, amar e proteger. A humanidade está marcada por uma forte cultura de morte, de vingança, de massacre onde não há espaço para o amor e para a vida, esta era a normalidade para a qual não devemos voltar. 
      Ademais, nossos governantes precisam pensar no bem comum, nos mais pobres, nos excluídos, nos favelados, nos indígenas, nos cidadãos em situação de rua, nos desempregados, nos pequenos empresários que agonizam, nos idosos. Grandes empresas devem pensar no desenvolvimento sustentável, sem usurpar seus trabalhadores e o meio ambiente, gerando economia e sonhos. Precisamos pensar em mudança de vida, de amar mais. Essa pandemia está mostrando nossas fragilidades, que nada nem ninguém é nosso. Precisamos conviver, viver com o outro, para o outro, pelo outro. Não se podem perder as oportunidades de abraçar, de confortar, de enxugar as lágrimas, de dar as mãos. Precisamos, portanto, de mudar, de disciplina para uma “nova normalidade”. 

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Ah que saudades da minha vida!


         Em meio ao isolamento que boa parte da população tem adotado com essa quarentena, devido à pandemia, está cada vez mais comum se ouvir o desabafo:”Ah que saudades da minha vida!” No Brasil, a adesão ao isolamento chega a quase 50%, o que ainda é ineficiente para barrar o contágio da doença. Diante dos conflitos gerados pelo isolamento social, o que pode ser feito para amenizar diversos problemas dessa situação?  
       Cabe ressaltar  a necessidade do isolamento social nesse cenário caótico pelo qual o mundo todo passa. Restrições ao trabalho, dificuldade financeira, perda da mobilidade urbana, medo da doença, pânico pela falta de medicamentos e tratamentos adequados, solidão,  ausência total de eventos sociais e viagens, distanciamento de familiares e de amigos e, principalmente, a falta de demonstração de afeto concreto e real como um simples abraço, um beijo, um aperto de mão geram uma infinidade de pensamentos ora negativos, ora desesperançosos, além de problemas psicológicos imensuráveis. 
      No entanto, esse isolamento social não deve ser visto apenas pelo lado negativo que isso impõe a todos: pobres, ricos, crianças, adultos. É preciso usar essa situação, que é transitória, para uma reflexão profunda e total de nossas verdadeiras necessidades, do real sentido da vida e, sobretudo, da importância de valorizar o que realmente importa para viver feliz. 
       Provavelmente, uma grande parcela social, durante essa quarentena, já deve ter percebido que simples ações do cotidiano  estão fazendo falta, que antes não eram valorizadas, nem sequer eram praticadas como deviam. Um beijo carinhoso, um abraço apertado, um aperto de mão sincero, uma simples caminhada, o corre corre no trabalho (que muita gente reclama) hoje estão fazendo uma falta incrível. 
    Portanto em vez de dizermos: ”Ah que saudades da minha vida!”, troquemos pela frase: “ah como vou mudar a minha vida!” Afinal de contas, o ser humano precisa mudar mesmo, ele precisa ser mais humano. Desse modo, a busca pela espiritualidade, de equilíbrio, de pensamentos otimistas e esperançosos são essenciais para ter uma saúde mental para conseguirmos vencer esse período da nossa vida. Assim poderemos sair dessa solidão obrigatória melhores de quando entramos para valorizar o cotidiano e respeitar o próximo. 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

E daí? Que tal governar?




        O Brasil e o mundo todo está perplexo diante das falas de desprezo e das manifestações  abomináveis do principal líder político de uma nação, o senhor Presidente da República, diante de um grave problema mundial que é a pandemia, causada pela Covid-19.  “Ah, mas ele é simples, só fala a verdade”, comentários como este só demonstra total falta de empatia e de uma extrema ignorância, insensibilidade e insensatez ao tentar justificar o que não tem  justificativa. Falar a verdade e ser simples com as palavras não é sinônimo de franqueza fraterna, altruísmo e sensibilidade.
     Em primeiro momento, vale relembrar quais são as principais atribuições de um presidente da república: além das funções descritas na Constituição, o Presidente da República carrega uma relevância simbólica de grande importância, uma vez que é o líder máximo do Estado brasileiro, eleito diretamente pelo povo. Ele não é só um despachante, é a representação de um projeto de país, suas decisões são crucialmente analisadas, criticadas e até seguidas o tempo todo. Ele representa e é, simultaneamente, a cara do país no exterior, os estrangeiros conhecem o Brasil por meio de ações e discursos do presidente da República. A presidência é o cargo político mais importante do país, por essas razões, ELE deve ser exemplo para seu povo e o primeiro a manifestar sua responsabilidade e compromisso para proteger o povo brasileiro.
       E daí? O que um presidente da república pode fazer para combater essa pandemia e evitar que milhares de vidas sejam perdidas? Um milagre? Não Senhor Presidente! Primeiro é saber que foi eleito para governar o país e PARA TODOS, combater esse mal que assola a nação é uma das suas atribuições.  O brasileiro não precisa de milagre presidencial, precisa sim que o presidente aja: construir hospitais e leitos de UTI, comprar respiradores e EPIs, valorizar os trabalhadores da saúde, pagar o auxílio emergencial, manter os empregos e ajudar as empresas. Isso não é milagre, isso é ação.
        Milagres existem, sim, e estão ocorrendo todos os dias na vida de milhões de brasileiros que precisam abastecer seus armários vazios e, principalmente, abastecer seus corações de fé e esperança de que tudo isso vai passar, mesmo não tendo um líder à altura do cargo que ocupa para defendê-los. Agir e parar de falar asneiras é um ótimo começo para combater essa pandemia, que já atingiu a terrível marca de mais de 5.000 mortos, não são só números, são pessoas que deixaram suas famílias “sem chão”. Agora só não esperamos sensibilidade e empatia porque isso é pedir demais para quem já demonstrou não ter nem um pouco desses sentimentos tão nobres e urgentes nessa nova conjuntura. E daí? Que tal governar?

domingo, 26 de abril de 2020

Lições dessa pandemia: parte II




    Pode-se afirmar, com contundência, que a pandemia do coronavírus, Covid-19, é um grande desafio mundial e tem gerado muitas reações no campo econômico, político, religioso, social e individual. Tais reações trazem consequências e resultados diversos, no entanto é preciso destacar as lições positivas que essa pandemia pode trazer, ainda que isso pareça impossível. 
        Em primeira análise, destacam-se as questões econômicas. Estas se mostraram enfraquecidas, uma vez que evidenciaram que indústrias, empresas e comércios, com poucas exceções, apresentam dificuldades imensuráveis para enfrentar a crise, ou seja, não têm capital de giro, não conseguem manter os empregos, mesmo sabendo que é uma situação transitória. 
       Consequentemente, essas fragilidades se tornam evidentes à medida que engrossam o índice de desemprego, a falta de planejamento estratégico e, sobretudo, a falta de ações sólidas que preveem crises como a da pandemia. Isso significa a ausência de projeções e de previsibilidade, além de impactar vertiginosamente o poder econômico e aumentar o índice de pobreza do país. 
      Vale ressaltar que cada organização, para sobreviver, não depende exclusivamente de suas próprias decisões e financiamento, isto é, precisa de ações externas dos governos-municipal, estadual, federal- de apoio financeiro, técnico, profissionalizante e, impreterivelmente, da diminuição urgente dos impostos no Brasil. 
          E que lições se podem aprender com essa crise pandêmica? Há muitas, mas podemos destacar algumas: não há economia forte sem investimento financeiro, sem políticas públicas de apoio às indústrias, empresas e comércio. Não há riqueza num país que não investe em ciência, pesquisa, tecnologia, educação e, principalmente, na capacitação e valorização do homem; por mais que se invistam em máquinas, a peça propulsora de tudo isso ainda é o trabalhador.  Não há empresa que se mantenha de pé sem seus funcionários, sem apoio dos bancos, sem atitude governamental, sem sustentabilidade, sem visão de futuro e sem fraternidade. As empresas, indústrias e comércio brasileiros pedem socorro.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

As lições dessa pandemia- parte I




           Um dos maiores desafios que o século XXI apresenta para o mundo é a pandemia, provocada pelo novo coronavírus, Covid-19. Grandes propostas de enfrentamento estão sendo feitas para o seu combate em escala mundial. O Brasil, no entanto, vinha atuando bravamente e, por diversos interesses capitalistas, corre-se o risco de perder tudo o que foi feito até o momento. E o que se pode aprender com tudo isso?
          Inicialmente, para se obter o sucesso esperado nesse combate, é necessário que haja uma administração pública uniforme, com uma parceria entre os poderes- Legislativo, Executivo e Judiciário- para alcançar resultados positivos, a fim de conter o contágio e poupar vidas.
           Entretanto a ciência tem sido ignorada e, muitas vezes, tem seu valor reconhecido somente no instante de histeria e de extrema necessidade, especialmente quando as grandes potências mundiais se veem derrotadas por um inimigo invisível. É preciso investir no conhecimento científico incessantemente e nas universidades federais para que o progresso da ciência contribua com a humanidade.
         Outro fator muito importante é que diversas pesquisas científicas realizadas em várias partes do mundo são menosprezadas por líderes políticos em detrimento do desenvolvimento econômico desenfreado. Quantas pesquisas, há anos, vêm mostrando a degradação ambiental, o acelerado aquecimento global, o crescimento vertiginoso da desigualdade social, o confinamento de animais, a extinção de milhares de espécies e diversas outras catástrofes antrópicas e quase nada tem sido feito para reverter essa situação calamitosa. Esse cenário ignorado é a base para novas doenças e pandemias. 
        Portanto é preciso aprender inúmeras lições com essa pandemia, que tem trazido à tona todas as fragilidades humanas; tudo está interligado, um espirro lá na China não tem fronteira, respinga em todo o mundo. A Terra é uma só. Ou cuidamos dela agora, ou estaremos acelerando a nossa extinção. É chegada a hora de pensarmos de forma fraternal, coletiva e humanizada; ao contrário, é ignorância, crueldade e egoísmo.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Fique em casa!

Fique em casa!

        O mundo todo enfrenta uma pandemia sem precedentes, o novo coronavírus Covid-19. Sem dúvida, medidas de enfrentamento estão acontecendo mundialmente e se tornaram extremamente necessárias para conter o contágio e preservar a vida.
         Com início na China, o vírus se espalhou rapidamente, atingiu a Europa, África e chegou às Américas. Os números do alastramento do coronavírus são assustadores e têm provocado pânico na sociedade: medo da doença, do dilaceramento econômico e do desemprego. Esse medo é compreensível, mas o pior de tudo é ignorar as ações fundamentais para conter essa pandemia.
      O momento é de quarentena, é de ficar em casa em isolamento social; quanto menos contato social houver, maiores são as chances de cortar esse mal, evitando a enfermidade. E para que isso aconteça, ações coletivas devem ser adotadas sim. Essa história de :”se eu me contaminar o problema é meu” é de uma irresponsabilidade que deve ser punida severamente. Todos, todos sem exceção, agora, devem se cuidar e cuidar do outro. Como? Isolando-se em casa. Fique em casa! Também adotar hábitos comuns como lavar as mãos com água e sabão e usar álcool em gel são imprescindíveis.
         É preciso evitar o pânico, no entanto não tem como evitar a perplexidade diante dos números. A Itália teve seu primeiro caso no dia 30 de janeiro, no 23º dia já contava 155 casos e três mortes, e hoje passou de 41 mil casos e mais de 3.400 mortes. Enquanto isso, no Brasil, o primeiro caso ocorreu no dia 26 de fevereiro, hoje (20 de março) há 621 casos e 7 mortes. Comparando a Itália ao Brasil, imagine quantos casos e mortes poderemos ter quando chegarmos ao 49º dia? 
    Hoje, mundo todo, são de 242 mil casos confirmados, mais de 9800 mortes e mais de 84 mil de curados. Os Estados Unidos acabaram de anunciar medidas de ajuda aos estadunidenses,adiando a cobrança de todos os impostos para julho, além de liberação de ajuda financeira e crédito para todos. O governo francês também divulgou diversas ações para minimizar os impactos dessa pandemia para os seus. Além de medidas concretas, esses governantes conclamaram toda a sociedade para se unirem contra essa pandemia, adotando o isolamento social, extremamente necessário para cortar a disseminação do vírus da Covid-19. Os governantes, todos eles, sem exceção, devem cuidar do seu povo, tanto no enfrentamento da pandemia quanto na ajuda econômica dos seus cidadãos.
    Portanto cabe a cada um de nós participar dessa luta e ficar em casa, agora, isso nunca foi tão importante. A cena mostrada pelas mídias de dezenas de caminhões militares transportando os corpos das vítimas do vírus na Itália parecia uma cena de guerra. Não queremos ver isso aqui no Brasil. Então fique em casa!

Resultado e Premiação do 2º Concurso de Poesia da Alarc - 2024

RESULTADO DO 2º CONCURSO DE POESIA DA ALARC – 2024 OBSERVAÇÃO: OS NOMES ESTÃO EM ORDEM ALFABÉTICA E NÃO DE CLASSIFICAÇÃO. PREMIAÇÃO LOCAL:...