sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ENEM: leilão virtual de vagas


Gastar dinheiro e tempo com inscrições em diversos vestibulares, com estadas em cidades distantes e com suas respectivas viagens ficou para trás desde 2009. Além do mais, isso era para quem tinha condições financeiras favoráveis, o que significava que estudar em universidades federais era, praticamente, um sonho para muitos brasileiros menos favorecidos.
A Educação, nos últimos anos, tem passado por diversas transformações. Uma delas e que tem influenciado a vida dos estudantes é o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio, que foi criado em 1998. O objetivo, inicial, era avaliar o desempenho do estudante ao término da educação básica e, consequentemente, analisar a situação encontrada, a fim de melhorar a qualidade desse nível de escolaridade.
Tal objetivo, a partir de 2009, foi mantido, no entanto, a ele, foi acrescentado um novo mecanismo, até então, inédito no país: a seleção para o ingresso no ensino superior. Isto quer dizer que o ENEM, além de avaliar o estudante, dá a ele o direito à vaga em universidades públicas de todo o país, de modo unificado, não sendo necessário fazer inúmeros vestibulares, como antes. Vale ressaltar que o vestibular continua, porém mais democrático e mais justo para com quem estuda e tira as maiores notas.
O ENEM tem muitos aspectos favoráveis. Por ser uma prova única e aplicada no Brasil todo, é possível, aos professores e aos alunos, analisarem, a cada ano, o estilo da prova, suas características, os conteúdos mais cobrados; e por apresentar assuntos correlacionados ao cotidiano. Além disso, os vestibulares tradicionais eram muito diversificados, já que cada instituto superior de ensino tinha sua própria banca, sua própria prova e, muitas vezes, ficava de acordo com a conveniência de cada instituição. Por isso os vestibulares eram muito diferentes um do outro, dificultando o ingresso do estudante ao ensino superior. Pode-se dizer que o ENEM é um sistema mais democrático de ingressar na faculdade, ampliando a oportunidade para todos aqueles que querem prosseguir nos estudos.
Outro ponto imprescindível que deve ser levado em consideração é que o exame possui critérios consistentes para avaliar as habilidades e as competências dos concursantes, estatisticamente, por meio da Teoria de Resposta ao Item –TRI – que é a forma de correção da prova, capaz de informar a habilidade de um determinado aluno, dizendo se ele tem mais habilidade ou menos habilidade em cada questão e, ainda, informa se a resposta do estudante foi o famoso “chute” ou não.
Tudo isso é possível porque essa teoria, usada para a correção não somente nos exames do ENEM, mas também onde há concursos com muitos concorrentes, porque a prova possui uma escala, onde cada questão é situada, testada e com seu nível de dificuldade analisado, variando de três pontos para baixo e três pontos para cima. Assim, se um estudante ‘x’ fica três pontos para cima de uma questão, quer dizer que ele é muito habilidoso. A TRI permite o desempate com mais facilidade, já que, usando a escala, não se conta o número de acertos. Caso fosse assim, teríamos milhares de estudantes empatados.
Sobre os conteúdos, vale dizer que o ENEM cobra do estudante a capacidade de interpretar, ler, escrever e raciocinar com fluência. Mas como este exame tem sido usado para selecionar, a cada ano, ele vem cobrando mais conteúdo, mais teorias, mais fórmulas entre outros. Desse modo, quem diz que o ENEM não cobra o conteúdo está enganado.
Sobre a REDAÇÃO, ao contrário do que muitos pensam, a sua correção não é tão subjetiva assim. Os corretores têm critérios objetivos de correção. São cinco: 1. Domínio da norma culta da língua portuguesa; 2. Compreensão do tema e aplicação da estrutura do texto dissertativo argumentativo; 3. Seleção e organização das informações; 4. Demonstração de conhecimento da língua necessária para argumentação do texto; 5. Elaboração de uma proposta de solução para os problemas abordados, respeitando os valores humanos e considerando as diversidades socioculturais. Para cada critério, são distribuídos 200 pontos, totalizando 1000 pontos, somente na redação.
Quanto ao tema, o aluno de ensino médio precisa estar pronto para qualquer assunto, já que sempre se trata de temas de relevância social e que, geralmente, são noticiados durante todo o ano. Sempre aparecem algumas apostas de temas, mas, independentemente de acertar ou não, e para que ninguém seja pego de surpresa, o ideal é acompanhar os noticiários, ler revistas e jornais diariamente.
É preciso que o aluno compreenda que o ENEM é a prova para a seleção, mas depois ele precisa se inscrever no SISU (Sistema de Seleção Unificada), onde podemos dizer que se trata de um leilão virtual de vagas. Isso mesmo, um leilão em que o dinheiro do aluno é a sua nota. Isso significa que quem tiver a maior a nota poderá escolher o curso e a faculdade desejados. Essa forma de seleção é justa, já que conseguirá a vaga aquele aluno que, durante todo o ano, esforçou-se mais.
Por que é importante saber tudo isso? Tendo conhecimento, os professores vão trabalhar de forma mais dinâmica e direcionada, mediando os estudantes para que tenham sucesso na prova do ENEM e nas provas que desejarem fazer ao longo de suas vidas. Além da contribuição da escola e dos professores, os estudantes precisam estudar os conteúdos programáticos, detectar o que é mais cobrado em cada disciplina, ler bastante, especialmente artigos de opinião, editoriais, notícias, cartuns, charges de jornais e revistas de abrangência nacional e internacional; e se esforçarem. Grande parte desse sucesso é de responsabilidade do aluno, pois é ele quem deve se esforçar mais. A família tem um papel importante: cabe a ela ajudar, propiciando momentos diversificados de estudo e, sobretudo, oferecendo apoio, incentivo e qualidade de vida.

Por Rosana Cristina Ferreira Silva










quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Artigo de Opinião: O Sofrimento dos refugiados



Uma grande preocupação, hoje, nas políticas públicas internacionais, é como dar asilo e propiciar um acolhimento integral aos milhares de refugiados, principalmente no que se refere às condições mais básicas para a sobrevivência como moradia, emprego, educação, saúde e alimentação. A cada semana, sobe o número de emigrados, que procuram uma forma de fugir de guerras civis, perseguições religiosas, políticas e étnicas, mesmo sabendo dos riscos iminentes. E o que fazer com inúmeros imigrantes, ilegais, em meio à crise, à falta de humanidade e a tantos outros desafios da atual conjuntura do país e do resto de boa parte do mundo?
Segundo os últimos dados da ONU (Organização das Nações Unidas), em 2014, somaram-se 19,5 milhões no mundo todo. Só em 2015, 224 mil chegaram à Europa. A Grécia e a Itália são os principais países escolhidos para o desembarque. A união Europeia se encontra numa situação antagônica, já que vários países dessa federação se recusam a dar asilo aos sobreviventes. A Suécia, por exemplo, informou que é impossível dar abrigo em sua embaixada; a Alemanha decretou que não consegue receber todos; e, mesmo aqueles que, por força maior, os aceitam, enfrentam dificuldades em abrigar todos. Os milhares de exilados se amontoam em abrigos improvisados: verdadeiros acampamentos de desesperança, sem nenhuma perspectiva.
Para chegarem à Europa, milhares de famílias, na maioria síria, submetem-se a uma jornada arriscada, em barcos muito frágeis, superlotados, em condições subumanas, encarando o Mediterrâneo. Boa parte não chega ao destino: morrem no mar crianças, jovens, idosos. Embarcações inteiras já ficaram nesse cemitério de ondas e, infelizmente, a tendência é essa atrocidade se repetir outras vezes, enquanto a guerra e as perseguições continuarem. Não há nenhum sinal de que isso vai acabar tão cedo.
Essa dramática realidade nos remete à obra de Castro Alves, Navio Negreiro, do século XIX, que denunciou o tráfico humano. Terrível mancha da nossa história, quando negros africanos eram trazidos para a América, como escravos. Em pleno século XXI, o tráfico de pessoas ainda assola a humanidade, com novas roupagens: com pobres coitados, refugiados, que precisam escolher morrer em seu país de origem, ou morrer na travessia marítima, ou, com muita sorte, sobreviver em outras terras, muitas vezes, hostis.
O Brasil não está fora da lista de países a receber refugiados. E, mesmo enfrentando tantas crises, pode ser considerado um exemplo ao dar asilo a essa população tão sofredora. Dados do CONARE (Comitê Nacional de Refugiados) foram divulgados nesta semana, justamente no dia 19 de agosto, data em que se celebra, no mundo todo, o Dia Mundial Humanitário, revelando que, em todo o nosso território nacional, são 8.400 refugiados, o que não é considerado alto se comparado a outras nações. Entre os deslocados se têm sírios, libaneses, angolanos e colombianos.
Diante do drama de milhares de refugiados, é preciso que os governantes encontrem formas de acolher, de forma humanitária, todos os que necessitam de asilo. Deve-se, urgente, rever as políticas públicas em relação ao assunto, encurtar a burocracia existente, diminuir as resistências na aceitação dos expatriados e ampliar as cotas de aceitação destes. Para esses sofredores, não há caminho de volta ao lar, porque muitos não o têm mais. Então, cada país deve abrir as suas portas para abrigar aqueles que necessitam e mostrar a sua humanidade, ou melhor, o lado humanitário de cada um. Será que este lado existe?




quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Artigo de Opinião: O avanço do terrorismo

O avanço do terrorismo

O dia 11 de setembro de 2001 ficou marcado na história, infelizmente, devido a um dos maiores atentados de todos os tempos: o ataque terrorista às Torres Gêmeas, em Nova York. Foi inacreditável a ação terrorista do grupo Al-Qaeda, na época, liderada por Osama bin Laden, morto em 2011. O mundo todo ficou chocado com tamanha brutalidade, mas o que ninguém imaginava é que pudessem existir grupos terroristas piores, mais cruéis que a Al-Qaeda. Hoje, há uma lista como o Talibã, Boko Haram e o mais temido de todo: o EIIS – Estado Islâmico no Iraque e na Síria.
Não é preciso morar no Paquistão, na Síria ou em qualquer outra parte do Oriente Médio para se ter a dimensão da violência, da desumanidade e da devastação que esses terroristas têm espalhado de forma acelerada e sanguinolenta. Os noticiários não se cansam de mostrar os ataques a diversos pontos como praças, mercados, igrejas, nem as escolas são poupadas.
Além do oriente, países europeus e africanos também são alvos constantes. Neste ano, o EI (Estado Islâmico) foi o autor de diversos atentados, deixando centenas de mortos. Todas as semanas, o grupo terrorista EI reivindica a autoria de ataques e se mostra mais cruel e sem limites para executar pessoas inocentes. O massacre é contínuo e compartilhado pelos algozes em redes sociais, onde os terroristas expõem os crimes, de forma espontânea, sem precedentes. As atrocidades são filmadas, veiculadas para que todos possam ver as mortes, sempre regradas com requintes de crueldade, que jamais pensávamos que alguém tivesse coragem de fazer. Queimam, esquartejam, crucificam, degolam. Não há limite. Nesta semana, 11 de agosto, o ataque do EI foi longe demais ao explodir, de uma só vez, 10 pessoas.
Vidas estão sendo ceifadas, famílias destruídas, crianças mortas e sonhos interrompidos, se é que é possível sonhar quando se vive numa triste realidade como a que vemos hoje, principalmente na Síria, onde as condições subumanas batem recordes, onde cada um escolhe morrer ou morrer. Sim, isso mesmo, aqueles que tentam fugir dos terroristas estão entre os milhares de refugiados. Muitos destes perderam suas vidas numa fuga arriscada, sem nenhuma esperança. Para especialistas, o que está acontecendo na Síria e em seu entorno pode ser considerado a maior catástrofe deste século.
Estamos assistindo a tudo isso e nada podemos fazer. Onde estão aqueles que podem frear os atentados terroristas? O que está faltando para que todos os chefes de nação se unam para um único fim: acabar com o terrorismo e conter o seu avanço? E o que se sabe é que jovens, sem perspectivas de vida, sem compromisso com o próximo e com Deus, de diversas nacionalidades, estão sendo recrutados, treinados e integrados a esses grupos.
Não podemos, de modo algum, perder a perplexidade diante de fatos como esses, como se o terrorismo não fosse uma dura realidade, porque está longe do Brasil. Não podemos perder aquilo que nos torna humanos, o sentimento. Cada vez que um ser humano sofre, com as mazelas deste mundo, nossa consciência humana nos leva a sofrer também. Carlos Drummond de Andrade, em uma poesia, desabafou: “quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes”. E assim me sinto, morta, triste, sem poder fazer nada para evitar que, do outro lado do mundo, pessoas que nem conheço morram nas mãos de terroristas, de forma cruel, desumana. Hoje é aquele povo que sofre tanto. Amanhã, quem será? Eu, você?


Por Rosana Cristina Ferreira Silva

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Este é o endereço para comprar o livro O voo da Poesia

http://www.allprinteditora.com.br/o-voo-da
http://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=o+voo+da+poesia

O livro O voo da Poesia: para ler e para colorir.


Artigo de Opinião: Dia dos Namorados com pouco dinheiro

12 de junho, data em que se comemora o Dia dos Namorados, véspera do dia de Santo Antônio que, segundo a tradição, é o santo casamenteiro. Essa é a razão que justifica a data dos apaixonados aqui, no Brasil, adaptada à nossa realidade, que teve início no comércio de São Paulo, ainda no século XX.
Tal celebração nasceu na Idade Média, na Europa, por meio de São Valentim, que foi Bispo da Igreja Católica, condenado à morte e preso por realizar casamentos numa época em que o imperador havia proibido, já que se vivia um período de guerra e acreditavam que homens solteiros seriam melhores combatentes.
Na cadeia, Valentim, sem fazer casamentos, recebia flores e cartões de muitas pessoas de todos os arredores, que acreditavam no amor. Lá ele se apaixonou. Quando estava prestes a morrer, deixou um buquê de flores e uma carta para a sua amada, dizendo que era “seu namorado”. São Valentim, então, morreu em 14 de fevereiro, data escolhida, portanto, para ser o Dia dos Namorados em diversos países do mundo.
            Ao analisar esse contexto histórico, fica fácil compreender o porquê da troca de cartões, de flores, de bombons, incrementados com uma grande diversidade de presentes “fofos”, encontros, jantares e, sobretudo, das juras de amor.
            Tal tradição se mantém viva até hoje e quem ganha com isso é o comércio. E é preciso comemorar, uma vez que estamos passando por um momento econômico complicado e inseguro, com quedas vertiginosas no mercado varejista que, há muito tempo, não sofria tanto com o pouco movimento no setor. Essa situação, também, é percebida em outros segmentos do país, haja vista o aumento do desemprego e a diminuição da renda do trabalhador brasileiro.
            Em meio à crise, é possível perceber que essa data, tão esperada pelos enamorados, aqueça um pouquinho o coração de quem ama e, quem sabe, a nossa economia. Um pouco de romantismo faz bem para quebrar o gelo das relações afetivas e comerciais.
            Diante de tal situação, como podemos comemorar o Dia dos Namorados? O fato é que essa crise toda pode trazer uma leve contribuição para o meio ambiente, já que o consumismo pode ser freado com a falta de dinheiro. Então o jeito é namorar à moda antiga: uma jantar simples à luz de vela (a conta de luz está cara demais), flores e um cartão, como fez São Valentim. Quem sabe, dessa forma, o namoro engata de vez, porque só o amor pode resistir a tanta arrocho nos outros 364 dias do ano.


Por Rosana Cristina Ferreira Silva





quinta-feira, 11 de junho de 2015

Só algumas linhas

Nunca senti tanta vontade de escrever como agora
e, mesmo tendo esse sentimento, o que me falta demora:
é a palavra certa, aquela que, como substantivo concreto,
tem corpo, força, forma física. Tudo o que tenho não é certo.

Preciso falar, mas uma secura me sobe à garganta.
Tenho sede e a água na me basta e não há nada que garanta
que isso mude, se transforme, se torne em poesia.
Faltam palavras, e elas se calam, fogem, assim, neste dia.

Logo quando mais preciso, persisto e ainda procuro.
Não encontro, portanto, verbete que me faça sentir seguro.
Ainda assim, numa busca incessante, dicionário aberto,
tento escrever algumas linhas e deixar esse eu descoberto.

Escrevendo, não consigo escrever o que vejo,
nem retrato com clareza  e precisão o que desejo.
Tudo o que tenho eu não tenho em mim: palavras,
para denunciar a  miséria humana e suas amarras.

Rosana Silva

Resultado e Premiação do 2º Concurso de Poesia da Alarc - 2024

RESULTADO DO 2º CONCURSO DE POESIA DA ALARC – 2024 OBSERVAÇÃO: OS NOMES ESTÃO EM ORDEM ALFABÉTICA E NÃO DE CLASSIFICAÇÃO. PREMIAÇÃO LOCAL:...